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Tomate

Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre o fruto. Para outros significados, veja Tomate (desambiguação).
Como ler uma infocaixa de taxonomiaTomate
Tomate holandês
Tomate holandês
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Solanales
Família: Solanaceae
Género: Solanum
Espécie: S. lycopersicum
Nome binomial
Solanum lycopersicum
L.
Sinónimos
  • Lycopersicon esculentum
  • Lycopersicon lycopersicum

O tomate é o fruto[1] do tomateiro (Solanum lycopersicum; Solanaceae). Da sua família, fazem também parte as berinjelas, as pimentas e os pimentões, além de algumas espécies não comestíveis. A palavra portuguesa tomate vem do castelhano tomate, derivada do náuatle (língua asteca) tomatl. Esta apareceu pela primeira vez na imprensa em 1595.[2]

As espécies são originárias das Américas Central e do Sul; sua utilização como alimentos teve origem no México,[3] espalhando-se por todo o mundo depois da colonização das Américas pelos europeus.

Suas muitas variedades são agora amplamente cultivadas, às vezes em estufas em climas mais frios. As plantas crescem tipicamente entre 1-3 metros (3-10 pés) de altura e desenvolvendo hastes fracas que se estendem sobre o chão ou trepam pelas outras plantas. É uma planta perene no seu habitat nativo, embora seja muitas vezes cultivada em climas temperados como anual. Um tomate comum médio pesa cerca de 100 gramas (4 oz).

Etimologia

"Tomate" tem origem do náuatle tomatl, através do castelhano tomate. A palavra aparece pela primeira vez na imprensa em 1595.[2]

Local de origem

Diferentes variedades de tomate, incluindo o tomate "pera amarelo" e "cereja amarelo".

Os Astecas e outros povos da Mesoamérica usavam o fruto em sua cozinha. A data exata da domesticação é desconhecida: sabe-se que em 500 AC já era cultivada no sul do México[3][4] e, provavelmente, outras áreas:. É uma crença popular entre o povo pueblo que aqueles que experimentaram a ingestão de sementes de tomate são abençoados com poderes de adivinhação.

Há evidências arqueológicas que mostram que o tomate verde (tomatillo), uma espécie que produz um ácido verde e que ainda é consumido no México, foi utilizado como alimento desde tempos pré -hispânicos. Isto sugere que o tomate também foi cultivado e utilizado pelos povos indígenas mesoamericanos antes da chegada dos espanhóis. É possível que, após a chegada do tomate espanhol foi cultivado e consumido mais de tomate verde por sua aparência colorida e vida mais longa após ser cosechado.[5]

Os maias e outros povos da região utilizada para consumo, e foi cultivado no sul do México, e provavelmente em outras áreas ao século XVI. Entre as crenças das pessoas que testemunharam a ingestão de sementes de tomate que foram abençoados com poderes de adivinhação. O grande, tomate irregular, uma mutação de um mais suave, frutos menores, originou e foi incentivado na Mesoamérica. Smith indica que este é o ancestral direto de alguns tomates cultivados modernos.

Sua chegada na Europa

O conquistador espanhol Hernán Cortés pode ter sido o primeiro a transferir o tomate pequeno amarelo para a Europa[6] depois que ele capturou a cidade asteca de Tenochtitlan, agora Cidade do México, em 1521, apesar de Christopher Columbus, um trabalho genoveses para a monarquia espanhola, pode tê-los levado de volta já em 1493. a primeira discussão do tomate na literatura europeia apareceu em um erval escrito em 1544 por Pietro Andrea Mattioli, um médico italiano e botânico, que sugeriu que um novo tipo de berinjela tinha sido trazido para a Itália que era vermelho sangue ou cor dourada quando maduro e poderia ser dividido em segmentos e comido como uma berinjela, isto é, preparados e temperado com sal, pimenta preta e óleo. No entanto não foi até dez anos mais tarde que os tomates foram nomeados na impressão por Mattioli como pomi d' oro, ou " maçã dourada".

Após a colonização espanhola da América, os espanhóis distribuíram o tomate pelas suas colônias no Caribe. Eles também o levaram para as Filipinas, de onde se espalhou para o sudeste da Ásia e, em seguida, para todo o continente asiático. Os espanhóis também trouxeram o tomate para a Europa. Cresceu facilmente no clima mediterrânico, e cultivo começou na década de 1540. Provavelmente foi comido logo depois que foi introduzido, e foi certamente a ser utilizado como alimento no início do século XVII na Espanha.[7] O mais antigo descoberto livro com receitas de tomate foi publicada em Nápoles em 1692, embora o autor tinha aparentemente obtido estas receitas a partir de fontes espanholas. Em certas áreas de Itália, como Florença, no entanto, a fruta foi usada apenas como uma tabletop decoração antes de ser incorporada a cozinha local no final do século XVII ou início do século XVIII.

Características

O tomateiro é uma planta espermatófita, angiosperma e dicotiledônea. Trata-se de um fruto, uma vez que é o produto do desenvolvimento do ovário e do óvulo da flor, formando o pericarpo e as sementes, respectivamente, após a fecundação.

O tomate é rico em licopeno e contém vitamina C.

Gastronomia

Tomate, por fora e em corte

Apesar de constantemente associado à culinária italiana, dado seu largo uso na sua culinária italiana, o tomate já era primordialmente consumido nas civilizações inca, maia e asteca antes de ser levado para a Europa. Pertence a um extenso rol de alimentos da América pré-colombiana desconhecidos do Velho Mundo antes das grandes navegações, do qual fazem parte o milho, vários tipos de feijões, batatas, frutas como abacate e o cacau (de cujas sementes se faz o chocolate), afora artigos de uso nativo que se difundiram, como o chicle (seiva de Sapota (ou sapoti)) e o tabaco.

Inicialmente, o tomate era tido como venenoso pelos europeus e cultivado apenas para efeitos ornamentais, supostamente por causa de sua conexão com as mandrágoras, variedades de Solanáceas usadas em feitiçaria.

Os primeiros registros apontam para a sua chegada em Sevilha, na Espanha, no século XVI, que era um dos principais centros de irradiação comercial para toda a Europa, principalmente Itália e Países Baixos. Os italianos logo chamaram os primeiros frutos de pomo d'oro (pomo de ouro).

A literatura culinária espanhola antiga (1599 - 1611) não registra o uso do tomate. Na Itália, Antonio Latine escreveu, entre 1692 e 1694, o livro de cozinha napolitana Lo Scalco alla Moderna, em que uma das suas receitas recomendava levar ao lume pedaços de tomate, sem pele ou sementes, temperando com salsinha, cebola e alho picados, salpicados com sal e pimenta, acrescidos de azeite e vinagre, para obter um molho de tomate "de estilo espanhol". Em 1745, o livro do espanhol Juan Altamiras descrevia duzentas receitas, dentre as quais treze tinham tomate em seus ingredientes. Já na Inglaterra, a partir de 1750, se tem evidências de seu uso pelas famílias judias, que já o consumiam, muito embora permanecesse suspeito ao restante dos cidadãos até o século XIX.

Somente no século XIX é que o tomate passou a ser consumido e cultivado em escala cada vez maior, inicialmente na Itália, depois na França e na Espanha, ganhando popularidade depois que os povos do sul da Europa declinaram sobre aquela suspeita, tornando-o um dos principais ingredientes da culinária mediterrânea. Alla bolognesa, à espanhola, à mexicana, à marselhesa, alla napolitana, alla parmigiana, à la orientale, à la niçoise, à portuguesa e à la provençale são apenas algumas das infinitas receitas que adotaram o fruto como ingrediente; uma lista que não para de se renovar.

Os tomates podem ser divididos em diversos grupos, de acordo com seu formato e sua finalidade de uso:

  • Santa Cruz, tradicional na culinária, utilizado em saladas e molhos e de formato oblongo;
  • Caqui, utilizado em saladas e lanches, de formato redondo;
  • Saladete, utilizado em saladas, de formato redondo;
  • Italiano, utilizado principalmente para molhos, podendo ainda fazer parte de saladas. Seu formato é oblongo, tipicamente alongado;
  • Cereja, utilizado como aperitivo, ou ainda em saladas. É um "minitomate", com tamanho pequeno, redondo ou oblongo.

Além de diferirem em seu formato, os tomates também podem ter variações em sua coloração. Apesar de ser bem mais comum encontra-lo na coloração vermelha, atualmente, novos tipos de tomate podem ser encontrados na cor rosada, amarela e laranja. Os dois últimos são mais difíceis de serem encontrados no Brasil.

Tomates verdes no pé

Tipos de tomate

  • Tomate-do-amazonas
  • Tomate-caqui
  • Tomate-carmen
  • tomate-cereja ou tomate-cherry
  • Tomate-chucha
  • Tomate-débora
  • Tomate-holandês
  • Tomate-italiano ou tomate-rasteiro
  • Tomate-japonês
  • Tomate-kumato
  • Tomate-ligúria
  • Tomate-raf
  • Tomate-san-marzano
  • Tomate-sweet grape
  • Tomate-vinha

Valores nutricionais

O consumo do tomate é recomendado pelos nutricionistas por ser um alimento rico em licopeno (média de 3,31 miligramas em cem gramas), vitaminas do complexo A e complexo B e minerais importantes, como o fósforo e o potássio, além de ácido fólico, cálcio e frutose. Quanto mais maduro, maior a concentração desses nutrientes.

O tomate é composto principalmente de água, possuindo, aproximadamente, catorze calorias em cem gramas, somente. Alguns estudos comprovam sua influência positiva no tratamento de câncer, pois o licopeno, pigmento que dá cor ao tomate, é considerado eficiente na prevenção do câncer de próstata e no fortalecimento do sistema imunológico.

De 1986 a 1998, a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, analisou os hábitos de 50 000 homens. Segundo os resultados da pesquisa, os homens que consumiam molho de tomate duas vezes por semana tiveram 23 por cento menos incidência de câncer do que outros. A pesquisa concluiu, ainda, que os benefícios podem ser maiores caso o tomate seja cozido, acompanhando um pouco de azeite.

Colheita

Plantação de tomateiros

No Brasil, a colheita do tomate é feita predominantemente de maneira manual. Os frutos, retirados das plantas são colocados em cestas de bambu ou sacolas plásticas, semelhantes às utilizadas para a colheita de laranjas. Logo após, os frutos são transportados para galpões, em caixas plásticas, onde são classificados. Já na etapa de colheita, toma-se cuidado para que os frutos não sejam danificados, dando-se especial atenção para evitar que batam uns sobre os outros. Outros danos podem ser provenientes das estacas de bambu, ou dos sistemas de amarrilho utilizados. As sacolas plásticas também costumam causar mais danos ao fruto, na hora da colheita. Durante o transporte, os tomates novamente são submetidos a estragos e possíveis perdas, mesmo que transportados de forma protegida. Estima-se que o mercado brasileiro perde anualmente 30% de sua produção do tomate para mesa.

Agrotóxico

O tomate é um dos produtos mais contaminados por agrotóxicos em decorrência de sua suscetibilidade a pragas.[8]

Dados econômicos

Produção Mundial

15 principais países produtores de Tomate
Ano 2018
Fonte: FAOSTAT (FAO[9])

Ranking País Produção (ton) Porcentagem Área Plantada (ha) Produtividade (ton/ha)
Predefinição:Country data China 61 523 462 33,8% 1 035 709 59,4
 Índia 19 377 000 10,6% 786 000 24,7
 Estados Unidos 12 612 139 6,9% 130 280 96,8
 Turquia 12 150 000 6,7% 176 430 68,9
Predefinição:Country data Egito 6 624 733 3,6% 161 702 41,0
Irã Irã 6 577 109 3,6% 158 991 41,4
 Itália 5 798 103 3,2% 97 092 59,7
Flag of Spain.svg Espanha 4 768 595 2,6% 56 128 85,0
Predefinição:Country data México 4 559 375 2,5% 90 323 50,5
10º  Brasil 4 110 242 2,3% 57 134 71,9
11º Nigéria 3 913 993 2,1% 608 116 6,4
12º  Rússia 2 899 664 1,6% 82 366 35,2
13º  Ucrânia 2 324 070 1,3% 73 100 31,8
14º  Uzbequistão 2 284 217 1,3% 60 353 37,8
15º  Marrocos 1 409 437 0,8% 15 955 88,3
Total Mundial 182 256 460 100% 4 762 459 38,3

Brasil

A produção agrícola de tomate no Brasil é bastante desenvolvida, tendo maior importância na economia do Sudeste e Centro-Oeste. Nesta região estão localizadas as maiores empresas de processamento do fruto.[10]

A partir de 1995, a produção industrial de tomate saltou 29 por cento, com o desenvolvimento de novos derivados como sopas, sucos, tomates dos mais diversos tipos, molhos e o desenvolvimento das redes de fast-food, com crescimento baseado na busca de maior qualidade, o que trouxe boas oportunidades ao setor.

A produção brasileira de tomate no ano de 2018 foi de aproximadamente 4,1 milhões de toneladas, com valor total de produção de R$ 5 bilhões, sendo o país o 9º maior produtor do mundo. Em volume de produção, os principais estados produtores em 2018 foram Goiás (1,3 milhões de toneladas), São Paulo (870 mil toneladas) e Minas Gerais (539 mil toneladas).[11]

Principais municípios produtores de tomate no Brasil no ano de 2018
Produção (toneladas), Área colhida (hectares), Produtividade (ton/ha)
Fonte: IBGE - PAM (Produção Agrícola Municipal)

Ranking Município Estado Produção (ton) Área colhida (ha) Produtividade (ton/ha)
Cristalina  Goiás 356 000 4 000 89,0
Itaberaí  Goiás 257 785 2 785 92,6
Morrinhos  Goiás 162 000 1 800 90,0
Miguelópolis  São Paulo 126 000 1 400 90,0
Itapeva  São Paulo 81 000 900 90,0
Piracanjuba  Goiás 80 000 800 100,0
Vianópolis  Goiás 70 000 700 100,0
Araguari  Minas Gerais 64 000 800 80,0
Apiaí  São Paulo 59 200 740 80,0
10º Mucugê Bahia Bahia 56 430 594 95,0
11º Guaíra  São Paulo 55 250 650 85,0
12º Ibicoara Bahia Bahia 55 000 600 91,7
13º Caçador  Santa Catarina 52 500 700 75,0
14º Pontalina  Goiás 50 000 500 100,0
15º Ribeirão Branco  São Paulo 49 680 600 82,8
Total -  Brasil 4 110 242 57 134 71,9

Portugal

Portugal produziu em 2012 cerca de 1,2 milhões de toneladas de tomate, registando uma produtividade recorde da ordem das 92 toneladas por hectare. Em 2015 totalizou uma produção de 1,8 milhões de toneladas, a maior dos últimos trinta anos.[12]

Este índice de produção por hectare será o segundo melhor do Mundo, superado apenas pelo do estado norte-americano da Califórnia.

Cerca de 95% desta produção (já transformada) acaba por seguir para exportação e representa um volume de negócios anual da ordem dos 250 milhões de euros, com um valor acrescentado bruto (VAB) de 80%.

A indústria transformadora de tomate – mais desenvolvida nas zonas de regadio do Ribatejo – exporta para 42 países e Portugal é o quinto maior exportador mundial, num sector que é responsável por 6 500 postos de trabalho, directos e indirectos.

Tomatina de Buñol

Ver artigo principal: Tomatina

Uma guerra de tomates costuma acontecer na Espanha, toda última quarta-feira de agosto. Desde 1940, durante a festa, os moradores da cidade de Buñol atiram tomates uns sobre os outros, pintando uns aos outros e as fachadas das casas da cidade com o vermelho da polpa do tomate. Durante a festa, a população desta pequena vila mediterrânea quadruplica e participam da Tomatina em torno de 38 000 pessoas, dentre moradores da cidade e turistas de todas as regiões do mundo. A origem do festival vem de uma brincadeira de crianças, quando algumas crianças usaram seus almoços para guerrear na praça da cidade.

Ver também

Referências

  1. Ferri, Mário Guimarães (10 de novembro de 1981). «Botânica: Morfologia externa das plantas: organografia». NBL Editora – via Google Books 
  2. 2,0 2,1 FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 687
  3. 3,0 3,1 [1], Tomato History (8-5-2008). Consultado el 12-9-2015.
  4. Esquinas-Alcazar, José; Nuez Viñals, F. (1995). «Situación taxonómica, domesticación y difusión del tomate». In: Nuez, Fernando. El cultivo del tomate. Madrid: Ediciones Mundi-Prensa. pp. 13–42. ISBN 84-7114-549-9 
  5. Botanical Garden of Cordoba (Spain), Neglected crops: 1492 from a different perspective, (FAO Plant Production and Protection Series, no.26). ISBN 92-5-103217-3
  6. [2], Los regalos de México a Europa (8-25-2015). Consultado el 22-6-2015.
  7. https://web.archive.org/web/20160201114222/http://www.uga.edu/vegetable/tomato.html
  8. Redação Uol (23 de abril de 2008). «Tomate, alface e morango são os produtos mais contaminados por agrotóxicos». Site Uol. Consultado em 28 de dezembro de 2014 
  9. «FAOSTAT» 
  10. «Folha de S.Paulo - Comida - - 19/09/2012». www1.folha.uol.com.br 
  11. «IGBE - Produção Agrícola Municipal (PAM)». www.ibge.gov.br. Consultado em 12 de março de 2020 
  12. INE, Estatísticas Agrícolas - 2015, pág. 20.

Ligações externas

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