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Feliz Lusitânia (região inicialmente chamada de Mairi),[1][2][3] atual Conjunto arquitetônico e paisagístico Feliz Lusitânia, ou Complexo Turístico Feliz Lusitânia, foi um povoado colonial português criado em 1616 pelo capitão Francisco Caldeira Castelo Branco (a mando do rei da União Ibérica Dom Manuel)[4][5] na então Conquista do Pará (ou Império das Amazonas), na época da província ultramarina Brasil Colônia ou América Portuguesa (1500-1815, atual Brasil), originando o atual município paraense de Belém do Pará. Atualmente é o centro histórico deste município situado no bairro da Cidade Velha, uma região portuária e turística restaurada em 2002 pelo Governo do Estado do Pará,[6] quando o município passava por um processo de decadência urbana histórica devido a verticalização predial.[7]
O complexo é um grupo de monumentos e edificações portuguesas dos séculos XVII e XVIII tombado como patrimônio pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) como um conjunto turístico, arquitetônico e paisagístico, que abriga as seguintes pontos: Forte do Presépio, praça Dom Frei Caetano Brandão, a Casa das 11 Janelas, a Igreja de Santo Alexandre, e a Igreja da Sé (Catedral Metropolitana de Belém).[8]
História
O povoado de Feliz Lusitânia foi criada na então aldeia de Mairi, na foz do igarapé do Piry às margens da Baía do Guajará, onde residiam os índios Tupinambás e Pacajás[9][10] (um entreposto comercial do cacicado marajoara).[11] Quando o capitão Francisco Castelo Branco, a mando do rei da União Ibérica (durante a Dinastia Filipina Dom Manuel) foi enviado, para defender a Amazônia dos estrangeiros, que disputavam o território das drogas do sertão, e colonizar a Conquista do Pará/Império das Amazonas.[10][12][13] Assim, em 12 de janeiro de 1616, fundou um fortim de madeira então denominado Forte do Presépio (atual Forte do Castelo) iniciando o povoado.[14][15]
Áreas do complexo
Este complexo é composto por:[6]
- Forte do Castelo;
- Palacete das Onze Janelas;
- Igreja de Santo Alexandre/Museu de Arte Sacra (antigo Palácio Episcopal);
- Ladeira do Castelo/Rua Norte (atual rua Siqueira Mendes).[16]
- Museu do Círio
- Palácio Lauro Sodré/Museu do Estado do Pará (MEP)
- Palácio Antônio Lemos/Museu de Arte de Belém ( MAB)
Forte do Presépio
Berço da cidade foi construído por Castelo Branco em 1616 para proteger a Amazônia dos invasores holandeses e franceses. Possui um acervo com peças de cerâmica marajoara e tapajônica de anteriores a chegada dos portugueses. O forte guarda intacto os canhões originais.
Praça Dom Frei Caetano
Foi concluída em 1900, também é conhecida como Largo da Sé. É o ponto de partida para passeios turísticos no centro histórico, a praça possui um monumento de bronze dedicado ao Bispo Caetano Brandão.
Palacete das Onze Janelas
Importante marco urbanístico em Belém erguido no século XVIII, por Domingos da Costa Barcelar, um rico senhor do engenho. Em 1768, foi convertida em hospital militar pelo governo do Grão-Pará. A casa teve funções militares entre 1870 até 2001, quando foi comprada pelo governo estadual para servir como ponto turístico da capital.
Museu de Arte Sacra
Arquitetada em estilo barroco Amazônico, a versão atual foi concluída em 1719, seu convento é o complexo jesuíta mais importante do Brasil, foi recentemente restaurada para receber o Museu de Arte Sacra.
O Museu de Arte Sacra é composto pela Igreja de Santo Alexandre e pelo Palácio Episcopal (antigo Colégio de Santo Alexandre). A igreja é um exemplar da arquitetura jesuítica no Brasil, teve o início da sua construção por volta de 1698 e inauguração a 21 de março de 1719, também funciona como espaço cênico-musical para espetáculos teatrais e recitais, além de ser objeto museal.
Catedral Metropolitana de Belém
Teve o início da sua construção por volta de 1748 sendo totalmente concluída em 1782 por Antônio Landi após algumas interrupções. Seu altar foi doado pelo papa Pio XI, a igreja suntuosa possui 28 candelabros ingleses de bronze e dez altares laterais com belíssimos quadros.
Ladeira do Castelo
A primeira rua de Belém, na verdade, é a Rua Siqueira Mendes, antiga Rua do Norte (Ernesto CRUZ, História de Belém, Belém, Ed. UFPA, 1968, 2 v.) Há casos em que a Ladeira do Castelo costuma ser registrada como a primeira rua da cidade de Belém, localizado ao lado do Forte do Presépio, ligando a Praça da Sé a Feira do Açaí. Na verdade, o traçado Norte/Sul; Leste/Oeste das "cidades novas" portuguesas reforça o registro da historiografia regional sobre o pioneirismo da Rua Siqueira Mendes/Rua do Norte, inclusive pela ligação do Largo da Sé (atual Praça Frei Caetano Brandão) com o Largo do Carmo.
Problema da Gentrificação
Assim como os demais projetos atrelados a linha da gentrificação, como a Estação das Docas e Mangal das Garças, são tidos como enclaves na paisagem, devido não articularem com a comunidade do entorno (de classe baixa), podendo gerar processos de segregação sócio-espacial, tornando-se projetos classistas e elitistas. Em tais espaços as populações do entorno não se vê inserida no projeto e não consegue consumi-lo em sua totalidade, dado o seu caráter excludente da dinâmica capitalista.[17]
Referências
- ↑ Silvestrin, Celsi Brönstrup; Noll, Gisele; Jacks, Nilda (2016). Capitais brasileiras : dados históricos, demográficos, culturais e midiáticos. Col: Ciências da comunicação. Curitiba (Paraná): Appris Eireli. ISBN 9788547302917. OCLC 1003295058. Consultado em 30 de abril de 2017. Resumo divulgativo
- ↑ «Brasil, Pará, Belém, História». Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2012. Consultado em 8 de março de 2018
- ↑ Pereira, Carlos Simões (28 de outubro de 2020). «Das origens da Belém seiscentista e sua herança Tupinambá». Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento (10): 146–160. ISSN 2448-0959. Consultado em 13 de janeiro de 2022
- ↑ Brönstrup,, Silvestrin, Celsi; Gisele,, Noll,; Nilda,, Jacks, (2016). Capitais brasileiras : dados históricos, demográficos, culturais e midiáticos. Col: Ciências da comunicação. Curitiba, PR: Appris. ISBN 9788547302917. OCLC 1003295058. Consultado em 30 de abril de 2017. Resumo divulgativo
- ↑ «I DECLARAÇÃO AOS POVOS SOBRE O TERRITÓRIO MURUCUTU TUPINAMBÁ». Idade Mídia. 7 de janeiro de 2022
- ↑ 6,0 6,1 «Folha Online - Turismo - Pará: Núcleo Feliz Lusitânia mantém arquitetura do além-mar - 10/02/2005». Jornal Folha de S.Paulo. Consultado em 13 de outubro de 2020
- ↑ «Feliz Lusitânia: intervenção e intransigência». Jjornal Beira do Rio. UniversidAde Federal do Pará - UFPA. Consultado em 13 de outubro de 2020
- ↑ «Pontos Turísticos Complexo Feliz Lusitânia - Belém». Guia da Semana (em português). Consultado em 2 de dezembro de 2021
- ↑ Brönstrup,, Silvestrin, Celsi; Gisele,, Noll,; Nilda,, Jacks, (2017). Capitais brasileiras : dados históricos, demográficos, culturais e midiáticos. Curitiba, PR: Appris. ISBN 9788547302917. OCLC 1003295058. Consultado em 30 de abril de 2017. Resumo divulgativo
- ↑ 10,0 10,1 «Brasil, Pará, Belém, História». Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2012. Consultado em 8 de março de 2018
- ↑ «I DECLARAÇÃO AOS POVOS SOBRE O TERRITÓRIO MURUCUTU TUPINAMBÁ». Idade Mídia. 7 de janeiro de 2022
- ↑ da Costa TAVARES, Maria Goretti (2008). «A Formação Territorial do Espaço Paraense». Universidade Federal do Pará - UFPa. Revista ACTA Geográfica nº 3 - Ano II. ISSN 1980-5772. doi:10.5654/actageo2008.0103.0005. Consultado em 4 de maio de 2016
- ↑ Pará, G1 (9 de janeiro de 2016). «Veja como foi a fundação de Belém em 1616 e conheça sua história». Notícias Estado do Pará. Globo Comunicação S.A. Consultado em 4 de maio de 2016
- ↑ «Brasil, Pará, Belém, História». Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 8 de março de 2018
- ↑ Cultura e Esportes Ltda, Companhia Brasileira de Arte (2015). «Belém: quatro séculos de história». Sistema de Apoio às Leis de Incentivo a Cultura - SALIC. Ministério da Cultura - Governo Federal do Brasil. Consultado em 4 de maio de 2016
- ↑ Cybelle Salvador Miranda. «Cidade Velha e Feliz Luzitânia: Cenários do Patrimônio Cultural em Belém» (PDF). Consultado em 1 de março de 2013
- ↑ Juliano Pamplona Ximenes Ponte. «A Orla de Belém: Intervenções e Apropiação» (PDF) [ligação inativa]