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Polvo: mudanças entre as edições

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Os '''polvos''' são [[molusco]]s [[Biologia marinha|marinho]]s da classe [[Cephalopoda]], da ordem Octopoda (''oito pés''), possuindo oito braços fortes e com [[ventosa (biologia)|ventosa]]s dispostos à volta da [[boca]]. Como o resto dos cefalópodes, o polvo tem um corpo mole, sem [[esqueleto]] interno (ao contrário das [[lula (molusco)|lulas]]) nem [[exoesqueleto|externo]], como o [[Argonauta (zoologia)|argonauta]]. Como meios de defesa, o polvo possui a capacidade de largar [[glândula de tinta|tinta]], de mudar a sua cor ([[camuflagem]], através dos [[cromatóforo]]s), e [[autotomia]] de seus braços.
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| 14 em duas subordens, ver abaixo
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Os '''polvos''' são [[molusco]]s [[marinho]]s da classe [[Cephalopoda]] e da ordem '''Octopoda''', que significa "oito pés" - a sua característica principal é uma coroa de oito [[tentáculo]]s com fortes [[ventosa]]s na [[cabeça]], à volta da [[boca]]. Como o resto dos cefalópodes, o polvo tem um corpo mole mas não tem esqueleto interno (como as [[lula]]s) nem externo (como o [[nautilus]]. Como meios de defesa, o polvo possui a capacidade de largar tinta, [[camuflagem]] (conseguida através dos [[cromatóforo]]s) e autonomia dos seus tentáculos.


É difícil decidir qual o aspecto mais fascinante dos polvos. Poderíamos dizer que, variando amplamente os detalhes, todos eles têm a mesma estrutura básica, e todos são predadores. Ou poderíamos começar dizendo que a única parte rígida do seu corpo é o bico córneo com o qual despedaça suas presas. Talvez fosse melhor iniciar pelos seus olhos, extremamente semelhantes em estrutura aos nossos próprios, embora tenham evoluído de forma inteiramente diferente; ou então pelo fato de possuir três corações, ou pela combinação de inacreditável força com delicadíssimos sentidos de tato e paladar presentes em suas centenas de ventosas, graças às quais praticamente qualquer coisa estará irremediavelmente capturada assim que o braço do polvo sequer tocar sua superfície.
Os polvos possuem oito braços, ao contrário das [[lula]]s e [[sépia]]s, que, além dos oito braços, possuem dois [[Tentáculo|tentáculos]]. O [[hectocótilo]] que atua na hora da [[reprodução]] é um braço modificado. Dado que os seus membros são usados na [[locomoção]], também se pode referir aos polvos como [[octópodes]].


Vamos, contudo, começar de outro ângulo, talvez o mais perturbador de todos. Os polvos são moluscos, ou seja, entre seus parentes mais próximos podemos enumerar caracóis, "dançarinas espanholas" (um tipo de lesma do mar) e ostras - todos animais de movimentos lentos e simples, em grande parte herbívoros, raspadores de detritos ou filtradores de plâncton, seres que quase invariavelmente passam a vida se escondendo dentro de carapaças e dificilmente dão a mais remota demonstração de inteligência.
Todos os polvos são [[predador]]es e alimentam-se de [[peixe]]s, [[crustáceo]]s e outros [[invertebrados]], que caçam com os braços e matam com o bico [[quitina|quitinoso]]. Ao longo do tempo, foram selecionados polvos com [[visão]] [[Visão binocular|binocular]] e [[olho]]s com estrutura semelhante à do órgão de visão do [[ser humano]], tendo percepção de cor. Tais características auxiliam esses animais  na caça.


Do mesmo tronco surgiram, no Período Cambriano, os cefalópodes, aparentemente a partir dos gastrópodes (caramujos e seus parentes). A semelhança é relativamente fácil de perceber, especialmente ao ver um náutilo, o mais primitivo dos cefalópodes vivos, que possui uma grande concha espiral da qual brotam seus inúmeros tentáculos e seus olhos simples. Os tentáculos de um caracol de jardim, por exemplo, são quatro: dois deles sustentam os olhos e dois os órgãos olfativos e gustativos. A "barriga" do caracol é na verdade seu pé, que utiliza movimentos ondulantes para deslocá-lo com a conhecida lentidão. Gastrópodes marinhos de estrutura semelhante podem ter desenvolvido uma forma com nado livre, multiplicando o número de tentáculos e criando uma forma de propulsão a jato - um sifão que ejeta água por meio de músculos poderosos e assim permite um deslocamento bastante rápido.
== Etimologia ==
"Polvo" se originou do termo [[Língua grega|grego]] ''pól'ypous'' ("de muitos pés"), através do termo [[Latim|latino]] ''polypu''<ref>FERREIRA, A. B. H. ''Novo Dicionário da Língua Portuguesa''. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 359</ref>.
== Defesa ==
[[Ficheiro:Ocellated octopus.jpg|thumb|right|Um polvo escondido numa [[concha]].]]
[[Ficheiro:Hapalochlaena lunulata2.JPG|thumb|Polvo de anéis azuis ''[[Hapalochlaena lunulata]]''.]]
Principalmente conhecidos pela capacidade de liberar uma tinta quando em fuga, os polvos possuem três mecanismos típicos de defesa: [[Glândula de tinta|glândulas de tinta]], [[camuflagem]] e [[autotomia]] dos braços.


Mais tarde outros cefalópodes tiveram diferentes tipos de conchas, com vários formatos, por vezes bizarros, e algumas formas passaram a dispensar a concha em favor de uma locomoção mais leve e maior liberdade de movimento. Surgiram assim as formas das sépias, que possuem uma pequena concha espiral escondida no interior do corpo, das lulas e sibas, que conservam apenas uma lâmina fina que sustenta o eixo do corpo, e dos polvos, que perderam (quase sempre) todo resquício de concha.
A maioria dos polvos é capaz de liberar uma densa nuvem de tinta, que os ajuda a escapar de [[predador]]es. A principal substância da tinta é composta por [[melanina]] que também dá a coloração dos cabelos e [[cor da pele humana|pele dos seres humanos]]. A nuvem de tinta também possui cheiro, sendo capaz de confundir predadores como [[tubarão|tubarões]] que dependem muito do [[olfato]] para localizar a presa.


Mas essas mudanças foram acompanhadas de muitas outras, que acabaram gerando uma das formas mais intrincadas e adaptáveis que conhecemos. Os tentáculos desenvolveram ventosas e outras estruturas para agarrar vítimas, e também ganharam músculos mais potentes e movimentos mais ágeis (chegando a "botes" rápidos, como por exemplo o dos tentáculos da lula). Para permitir esses movimentos vigorosos, o sistema circulatório (que forma o esqueleto hidrostático) foi amplamente melhorado; e para coordená-los o sistema nervoso aumentou de tamanho e eficiência. Para melhor utilizar todos esses recursos, olhos de grande complexidade se desenvolveram, capazes de focalizar, distinguir cores e produzir a visão binocular (como a nossa, que dá melhor percepção de profundidade).
A camuflagem dos polvos é obtida através de algumas [[célula]]s especializadas de sua pele, podendo alterar a [[cor]] aparente e a [[opacidade]] de sua [[Epiderme (zoologia)|epiderme]]. [[Cromatóforo]]s contêm [[pigmento]]s de cores como amarelo, laranja, vermelho, marrom e preto; a maioria das espécies possui três desses pigmentos embora algumas espécies tenham dois ou quatro. Outra característica de mudança de cor é obtida através de alteração da refletividade de células ''iridoforas'' e ''leucoforas'' (branca).<ref>{{en}}{{Citar web | url = http://www.dnr.sc.gov/marine/sertc/species_month.htm | titulo = Tales from the Cryptic: The Common Atlantic Octopus | acessodata = 2006-07-27 | author = Meyers, Nadia | publicado = Southeastern Regional Taxonomic Center}}</ref> A capacidade de mudança de cor também serve para alertar outros polvos sobre o perigo de ataque de um predador. O polvo de anéis azuis pode se tornar de um amarelo intenso com anéis azuis quando provocado.


Não é realmente de espantar que predadores que, dessas maneiras, estavam ganhando tamanho, agilidade e vida livre, e portanto tornando-se mais visíveis, acabassem desenvolvendo estratégias de mimetismo. Os cefalópodes superiores (sépias, lulas e polvos) chegaram ao extremo de terem todo o corpo coberto por células pigmentadas ligadas a células musculares - os cromatóforos, que regidas por seu poderoso sistema neural produzem mudanças de cor e inclusive padrões móveis (as ondulações de preto-e-branco de uma sépia são tão assombrosas quanto as sucessivas mudanças de tonalidade de um polvo).
Alguns polvos, quando ameaçados, têm a capacidade de autotomia dos braços de forma semelhante às [[lagartixa (animal)|lagartixa]]s que podem liberar suas caudas. Os braços liberados servem como distrativos para os predadores em sua caça.


O polvo, assim, é membro de um grupo incrivelmente original, que criou suas próprias estratégias de sobrevivência enquanto metade do reino animal inovava bem menos nas soluções. Dentre todos os cefalópodes, o polvo é também bastante único: tendo perdido todo resquício de concha, seu corpo é capaz de estreitar-se para passar por quase qualquer abertura, enquanto os seus tentáculos desenvolveram independência e agilidade tais ao ponto de se tornarem verdadeiros braços - oito deles (de onde o nome latino, Octopus, que é também o nome do gênero mais comum de polvos). Cada braço é um órgão incrivelmente versátil, dotado de ventosas e de uma musculatura poderosíssima. Se for perdido durante uma caçada (ou durante uma fuga), o braço crescerá novamente. É inclusive um dos braços que, nos machos, faz as vezes de pênis, introduzindo pacotes de esperma no manto da fêmea.
Polvos de poucas espécies, como o ''[[Thaumoctopus mimicus]]'', têm um quarto mecanismo de defesa. Eles conseguem combinar a alta flexibilidade de seus corpos com a mudança de coloração imitando outros animais mais perigosos como o [[peixe-leão]], [[cobra-do-mar|cobras-do-mar]] e [[moreia]]s. Também são capazes de alterar sua textura a fim de atingir uma camuflagem imitando [[pedra]]s e [[alga]]s.


A reprodução dos polvos, aliás, não é menos notável do que o resto de suas vidas. Após o acasalamento, que pode durar várias horas entre o início da corte (durante a qual machos concorrentes podem competir de diversas formas para estabelecer dominação, sem necessariamente entrar em combate) e a fecundação, o macho e a fêmea se separam e esta última continua a viver normalmente até que chegue o momento de desovar. O ninho, que geralmente é um oco de pedra ou qualquer outro local abrigado que ela limpa minuciosamente com seus tentáculos (dotados de sensores de paladar, os tentáculos podem identificar impurezas invisíveis ao olho), recebe de centenas a milhares de ovas, dependendo da espécie da fêmea; ela permanece mantendo o local limpo e soprando água para dar oxigênio aos filhotes em desenvolvimento.
== Reprodução ==
A reprodução é sexuada e inicia-se com um ritual de acasalamento que pode durar várias horas ou dias.  Biólogos consideram que quando a fêmea está pronta para a fecundação ela libera um [[feromônio]] sexual, que além de atrativo, previne que o parceiro sexual as devore (o [[canibalismo]] é comum em várias espécies de polvos). A fêmea pode ser fecundada por um ou mais parceiros sexuais nesse período. Quando aceite pela fêmea, os [[espermatozoide]]s do polvo alojados no hectocótilo vão em direção ao útero da fêmea. Dependendo da espécie, a fêmea deposita os ovos fecundados num "ninho" em fileiras ou isoladamente  que podem atingir até 200 000 ovos. Durante a maturação dos ovos, a fêmea cuida deles, evitando que algas e outros organismos os ataquem. Ela também facilita a circulação de correntes de água a fim de que os óvulos recebam oxigenação suficiente. Durante esse período a fêmea não se alimenta e normalmente morre pouco depois dos ovos eclodirem.<ref>{{en}}{{Citar web | titulo = Octopus Reproduction | url = http://www.royalbcmuseum.bc.ca/School_Programs/octopus/index-part2.html | publicado = Royal BC Museum | acessodata = 2008-17-02 | arquivourl = https://web.archive.org/web/20101224080222/http://www.royalbcmuseum.bc.ca/School_Programs/octopus/index-part2.html | arquivodata = 2010-12-24 | urlmorta = yes }}</ref>
Depois de os ovos eclodirem, os filhotes,também conhecidos como Mini-Tentacloidis, vivem numa fase ''paralarvae''. Nessa fase eles alimentam-se  de pequenos animais do [[plâncton]] tais como [[copépode]]s, e larvas de [[caranguejo]]s e [[estrela-do-mar|estrelas-do-mar]]. Deste modo, integram a cadeia alimentar de seres vivos maiores como [[Medusozoa|águas-vivas]] e [[baleias]]. Depois da fase ''paralarvae'', quando os filhotes tornam-se maiores, deixam a superfície dos mares, tornando-se adultos no fundo dos mares, em baixas profundidades.


A maioria das espécies de polvos nasce inteiramente formada, sem passar pelo estágio larval: adultos em miniatura, eles exibem inclusive as mudanças de cor lampejantes, desde antes mesmo de romperem a casca das ovas.
== Órgãos sensoriais ==
[[Ficheiro:Octopus vulgaris12p.jpg|thumb|right|Olho do ''[[Octopus vulgaris]]'']]
Polvos têm uma boa acuidade visual. Apesar de suas [[pupila]]s terem o formato de linha, levando a acreditar que sofram de [[astigmatismo]], sua visão aparenta não sofrer de problemas de intensidade da luz em seu ''[[habitat]]''<ref>{{citar periódico
| autor = <span style="font-variant:small-caps">W. R. A. Munts & J. Gwyther</span>
| ano = 1989
| título = The Visual Acuity of Octopuses for Gratings of Different Orientations
| jornal = Journal of Experimental Biology
| volume = 142
| páginas = 461-464}}
</ref>. Acredita-se que eles não tenham visão em cores embora consigam distinguir a polarização da luz<ref>{{citar periódico
| autor = <span style="font-variant:small-caps">J. B. Messenger</span>
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| título = Evidence that Octopus is Colour Blind
| jornal = Journal of Experimental Biology
| volume = 70
| páginas = 49-55}}</ref>. Atrelados ao cérebro existem dois órgãos especiais, chamados de estatocistos, que permitem o sentido de orientação horizontal. O sistema nervoso automático mantém a fenda das pupilas sempre na posição horizontal.


A fêmea, que não se alimenta durante a incubação, geralmente definha e morre pouco tempo depois da eclosão. O macho vive o bastante talvez para se reproduzir uma ou duas vezes, envelhecendo e morrendo logo depois.
Polvos também têm um apurado sentido de [[tacto|toque]] físico. As suas [[Ventosa (biologia)|ventosa]]s são equipadas com quimioreceptores de forma que os polvos podem sentir o gosto do objeto que estão tocando. Seus braços contém sensores de tensão, permitindo-os saber o quanto eles estão distentidos, embora tenham pouca percepção de [[Propriocepção|posicionamento espacial]] nesses movimentos: os receptores de tensão são insuficientes para que ele saiba corretamente a posição de seus braços. Por ser um invertebrado fica pouco claro qual a capacidade cerebral necessária para permitir uma correta percepção do posicionamento de seus braços; a flexibilidade de seus braços é muito maior que a [[língua]] dos [[vertebrado]]s. Como resultado os polvos tem um fraco sentido em [[estereognosia|reconhecer a forma]] dos objetos tocados. Ele consegue perceber as [[textura]]s dos objetos tocados mas não conseguem integrar, pelo tato, essas informações num objeto maior.<ref name="wells">Wells. Martin John.  ''Octopus: physiology and behaviour of an advanced invertebrate''.  London : Chapman and Hall ; New York : distributed in the U.S.A. by Halsted Press, 1978.</ref>


A autonomia neurológica de seus braços faz com que os polvos tenham grandes dificuldades de aprendizagem na orientação de sua locomoção. Não há uma precisão desses movimentos tanto no posicionamento preciso de seus braços nem uma [[retroalimentação]] precisa de seus movimentos. O único meio preciso de coordenação de seus movimentos e locomoção dá-se através da observação visual.<ref name="wells"/>


{{esboço}}
Os polvos atacam quando se sentem ameaçados.


==Recursos exteriores à Wikipédia==
== Inteligência ==
*[http://www.cephbase.dal.ca/spdb/ordergroup.cfm?Orderr=Octopoda CephBase]
{{AP|vt=s|Uso de ferramentas por animais}}
Os cefalópodes apresentam macroneurônios que só aparecem nesta classe e são mais desenvolvidos do que qualquer outro invertebrado.


[[Categoria:Cefalópodes]]
Cerca de 1/3 dos neurônios do Polvo estão no cérebro. Teoricamente estes animais desenvolveram grande inteligência devido a necessidades de sobrevivência, por exemplo, devido à fragilidade de seu corpo (ausência de carapaça) em que a inteligência de seus ancentrais certamente aumentava as chances de fuga de ataques de predadores, além de auxiliar na captura com mais eficiência das diversas variedades de presas existentes em seu [[hábitat]].


[[ca:Polp]]
Os pesquisadores costumam observar a inteligência desses animais quando eles estão em cativeiro. Um pesquisador relata ter construído um robô submarino que ficava se movimentando em um grande tanque onde um polvo se encontrava. O polvo se “comunicou” com o robô e o desmontou peça por peça. Em outro caso, os funcionários do Santa Monica Pier Aquarium, na California, foram surpreendidos com 750 litros de água espalhados pelo piso ecologicamente construído. Acontece que um curioso polvo de duas pintas tinha desmontado a válvula de reciclagem de água e o cano,dirigido para fora do tanque, fez a água escoar durante 10 horas.
[[de:Kraken]]
Uma outra característica única dos moluscos é que, neles, duas áreas do cérebro se especializaram no armazenamento de memórias. Não é só o fato de terem cérebro maior e condensado, mas eles se destacam também por ter áreas no cérebro dedicadas à aprendizagem. E é nesse aspecto que se assemelham aos humanos, mas com um cérebro completamente diferente.<ref>{{citar web|url=http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/a_surpreendente_inteligencia_dos_polvos_2.html|título=A surpreendente inteligência dos polvos|autor=Brendan Borrell|data=|publicado=28/04/2009|acessodata=15/08/2012}}</ref>
[[en:Octopus]]
 
[[eo:Polpo]]
Em 2021 foi realizado um estudo que indicava que os polvos podem sentir dor psicológica de forma semelhante aos mamíferos, sendo a primeira prova desse comportamento em um animal invertebrado.<ref>{{Citar periódico |url=https://www.cell.com/iscience/abstract/S2589-0042(21)00197-8 |titulo=Behavioral and neurophysiological evidence suggests affective pain experience in octopus |data=2021-03-19 |acessodata=2021-03-29 |jornal=iScience |número=3 |ultimo=Crook |primeiro=Robyn J. |lingua=English |doi=10.1016/j.isci.2021.102229 |issn=2589-0042}}</ref>
[[es:Octopoda]]
 
[[fr:Pieuvre]]
== Pesca de Polvo em Portugal==
[[gl:Polbo]]
O polvo é em quantidade a quarta espécie mais pescada e desembarcada em Portugal. No triénio 2007 a 2009, as estimativas apontam para 9 950 toneladas por ano, em média, de desembarques. Se fizermos a análise por valor total pescado, é, ao lado da [[sardinha]], uma das duas espécies com maior [[valor econômico]], sendo mesmo a maior em 2008<ref>Portugal:Direcção Geral das Pescas e aquicultura</ref>
[[he:תמנון]]
 
[[ja:タコ]]
== Classificação ==
[[nl:Octopus]]
* '''Ordem Octopoda'''
[[zh:章鱼]]
* Subordem Cirrina
** Família [[Cirroteuthidae]]
** Família [[Grimpoteuthididae]]
** Família [[Luteuthididae]]
** Família [[Opisthoteuthidae]]
** Família [[Stauroteuthidae]]
* Subordem Incirrina
** Família [[Alloposidae]]
** Família [[Amphitretidae]]
** Família [[Argonautidae]]
** Família [[Bolitaenidae]]
** Família [[Idioctopodidae]]
** Família [[Octopodidae]]
** Família [[Ocythoidae]]
** Família [[Tremoctopodidae]]
** Família [[Vitreledonellidae]]
 
{{Referências}}
 
== Ver também ==
* [[Glândula de tinta]]
* [[Paul, o polvo]]
* [[Davy Jones (Piratas do Caribe)]]
 
== Ligações externas ==
* [https://web.archive.org/web/20040603140351/http://www.cephbase.dal.ca/spdb/ordergroup.cfm?Orderr=Octopoda CephBase]
* [https://zap.aeiou.pt/um-portugues-descobriu-que-ha-polvos-que-socam-peixes-367750 Um português descobriu que há polvos que socam peixes. Pode ser mera vingança, por Sara Silva Alves -23 Dezembro, 2020]
 
[[Categoria:Octopoda| ]]

Edição atual tal como às 19h17min de 26 de junho de 2022

Como ler uma infocaixa de taxonomiaPolvo
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Cephalopoda
Subclasse: Coleoidea
Superordem: Octopodiformes
Ordem: Octopoda
Wikispecies
O Wikispecies tem informações sobre: Polvo

Os polvos são moluscos marinhos da classe Cephalopoda, da ordem Octopoda (oito pés), possuindo oito braços fortes e com ventosas dispostos à volta da boca. Como o resto dos cefalópodes, o polvo tem um corpo mole, sem esqueleto interno (ao contrário das lulas) nem externo, como o argonauta. Como meios de defesa, o polvo possui a capacidade de largar tinta, de mudar a sua cor (camuflagem, através dos cromatóforos), e autotomia de seus braços.

Os polvos possuem oito braços, ao contrário das lulas e sépias, que, além dos oito braços, possuem dois tentáculos. O hectocótilo que atua na hora da reprodução é um braço modificado. Dado que os seus membros são usados na locomoção, também se pode referir aos polvos como octópodes.

Todos os polvos são predadores e alimentam-se de peixes, crustáceos e outros invertebrados, que caçam com os braços e matam com o bico quitinoso. Ao longo do tempo, foram selecionados polvos com visão binocular e olhos com estrutura semelhante à do órgão de visão do ser humano, tendo percepção de cor. Tais características auxiliam esses animais na caça.

Etimologia

"Polvo" se originou do termo grego pól'ypous ("de muitos pés"), através do termo latino polypu[1].

Defesa

Um polvo escondido numa concha.
Polvo de anéis azuis Hapalochlaena lunulata.

Principalmente conhecidos pela capacidade de liberar uma tinta quando em fuga, os polvos possuem três mecanismos típicos de defesa: glândulas de tinta, camuflagem e autotomia dos braços.

A maioria dos polvos é capaz de liberar uma densa nuvem de tinta, que os ajuda a escapar de predadores. A principal substância da tinta é composta por melanina que também dá a coloração dos cabelos e pele dos seres humanos. A nuvem de tinta também possui cheiro, sendo capaz de confundir predadores como tubarões que dependem muito do olfato para localizar a presa.

A camuflagem dos polvos é obtida através de algumas células especializadas de sua pele, podendo alterar a cor aparente e a opacidade de sua epiderme. Cromatóforos contêm pigmentos de cores como amarelo, laranja, vermelho, marrom e preto; a maioria das espécies possui três desses pigmentos embora algumas espécies tenham dois ou quatro. Outra característica de mudança de cor é obtida através de alteração da refletividade de células iridoforas e leucoforas (branca).[2] A capacidade de mudança de cor também serve para alertar outros polvos sobre o perigo de ataque de um predador. O polvo de anéis azuis pode se tornar de um amarelo intenso com anéis azuis quando provocado.

Alguns polvos, quando ameaçados, têm a capacidade de autotomia dos braços de forma semelhante às lagartixas que podem liberar suas caudas. Os braços liberados servem como distrativos para os predadores em sua caça.

Polvos de poucas espécies, como o Thaumoctopus mimicus, têm um quarto mecanismo de defesa. Eles conseguem combinar a alta flexibilidade de seus corpos com a mudança de coloração imitando outros animais mais perigosos como o peixe-leão, cobras-do-mar e moreias. Também são capazes de alterar sua textura a fim de atingir uma camuflagem imitando pedras e algas.

Reprodução

A reprodução é sexuada e inicia-se com um ritual de acasalamento que pode durar várias horas ou dias. Biólogos consideram que quando a fêmea está pronta para a fecundação ela libera um feromônio sexual, que além de atrativo, previne que o parceiro sexual as devore (o canibalismo é comum em várias espécies de polvos). A fêmea pode ser fecundada por um ou mais parceiros sexuais nesse período. Quando aceite pela fêmea, os espermatozoides do polvo alojados no hectocótilo vão em direção ao útero da fêmea. Dependendo da espécie, a fêmea deposita os ovos fecundados num "ninho" em fileiras ou isoladamente que podem atingir até 200 000 ovos. Durante a maturação dos ovos, a fêmea cuida deles, evitando que algas e outros organismos os ataquem. Ela também facilita a circulação de correntes de água a fim de que os óvulos recebam oxigenação suficiente. Durante esse período a fêmea não se alimenta e normalmente morre pouco depois dos ovos eclodirem.[3] Depois de os ovos eclodirem, os filhotes,também conhecidos como Mini-Tentacloidis, vivem numa fase paralarvae. Nessa fase eles alimentam-se de pequenos animais do plâncton tais como copépodes, e larvas de caranguejos e estrelas-do-mar. Deste modo, integram a cadeia alimentar de seres vivos maiores como águas-vivas e baleias. Depois da fase paralarvae, quando os filhotes tornam-se maiores, deixam a superfície dos mares, tornando-se adultos no fundo dos mares, em baixas profundidades.

Órgãos sensoriais

Polvos têm uma boa acuidade visual. Apesar de suas pupilas terem o formato de linha, levando a acreditar que sofram de astigmatismo, sua visão aparenta não sofrer de problemas de intensidade da luz em seu habitat[4]. Acredita-se que eles não tenham visão em cores embora consigam distinguir a polarização da luz[5]. Atrelados ao cérebro existem dois órgãos especiais, chamados de estatocistos, que permitem o sentido de orientação horizontal. O sistema nervoso automático mantém a fenda das pupilas sempre na posição horizontal.

Polvos também têm um apurado sentido de toque físico. As suas ventosas são equipadas com quimioreceptores de forma que os polvos podem sentir o gosto do objeto que estão tocando. Seus braços contém sensores de tensão, permitindo-os saber o quanto eles estão distentidos, embora tenham pouca percepção de posicionamento espacial nesses movimentos: os receptores de tensão são insuficientes para que ele saiba corretamente a posição de seus braços. Por ser um invertebrado fica pouco claro qual a capacidade cerebral necessária para permitir uma correta percepção do posicionamento de seus braços; a flexibilidade de seus braços é muito maior que a língua dos vertebrados. Como resultado os polvos tem um fraco sentido em reconhecer a forma dos objetos tocados. Ele consegue perceber as texturas dos objetos tocados mas não conseguem integrar, pelo tato, essas informações num objeto maior.[6]

A autonomia neurológica de seus braços faz com que os polvos tenham grandes dificuldades de aprendizagem na orientação de sua locomoção. Não há uma precisão desses movimentos tanto no posicionamento preciso de seus braços nem uma retroalimentação precisa de seus movimentos. O único meio preciso de coordenação de seus movimentos e locomoção dá-se através da observação visual.[6]

Os polvos atacam quando se sentem ameaçados.

Inteligência

Os cefalópodes apresentam macroneurônios que só aparecem nesta classe e são mais desenvolvidos do que qualquer outro invertebrado.

Cerca de 1/3 dos neurônios do Polvo estão no cérebro. Teoricamente estes animais desenvolveram grande inteligência devido a necessidades de sobrevivência, por exemplo, devido à fragilidade de seu corpo (ausência de carapaça) em que a inteligência de seus ancentrais certamente aumentava as chances de fuga de ataques de predadores, além de auxiliar na captura com mais eficiência das diversas variedades de presas existentes em seu hábitat.

Os pesquisadores costumam observar a inteligência desses animais quando eles estão em cativeiro. Um pesquisador relata ter construído um robô submarino que ficava se movimentando em um grande tanque onde um polvo se encontrava. O polvo se “comunicou” com o robô e o desmontou peça por peça. Em outro caso, os funcionários do Santa Monica Pier Aquarium, na California, foram surpreendidos com 750 litros de água espalhados pelo piso ecologicamente construído. Acontece que um curioso polvo de duas pintas tinha desmontado a válvula de reciclagem de água e o cano,dirigido para fora do tanque, fez a água escoar durante 10 horas. Uma outra característica única dos moluscos é que, neles, duas áreas do cérebro se especializaram no armazenamento de memórias. Não é só o fato de terem cérebro maior e condensado, mas eles se destacam também por ter áreas no cérebro dedicadas à aprendizagem. E é nesse aspecto que se assemelham aos humanos, mas com um cérebro completamente diferente.[7]

Em 2021 foi realizado um estudo que indicava que os polvos podem sentir dor psicológica de forma semelhante aos mamíferos, sendo a primeira prova desse comportamento em um animal invertebrado.[8]

Pesca de Polvo em Portugal

O polvo é em quantidade a quarta espécie mais pescada e desembarcada em Portugal. No triénio 2007 a 2009, as estimativas apontam para 9 950 toneladas por ano, em média, de desembarques. Se fizermos a análise por valor total pescado, é, ao lado da sardinha, uma das duas espécies com maior valor econômico, sendo mesmo a maior em 2008[9]

Classificação

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 359
  2. (em inglês)Meyers, Nadia. «Tales from the Cryptic: The Common Atlantic Octopus». Southeastern Regional Taxonomic Center. Consultado em 27 de julho de 2006 
  3. (em inglês)«Octopus Reproduction». Royal BC Museum. Consultado em 17 de fevereiro de 2008. Arquivado do original em 24 de dezembro de 2010 
  4. W. R. A. Munts & J. Gwyther (1989). «The Visual Acuity of Octopuses for Gratings of Different Orientations». Journal of Experimental Biology. 142: 461-464 
  5. J. B. Messenger (1977). «Evidence that Octopus is Colour Blind». Journal of Experimental Biology. 70: 49-55 
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  9. Portugal:Direcção Geral das Pescas e aquicultura

Ver também

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