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Sofisma

Sofisma ou sofismo (do grego antigo σόϕισμα -ατος, derivado de σοϕίξεσϑαι "fazer raciocínios capciosos") em filosofia, é um raciocínio ou falácia se chama a uma refutação aparente, refutação sofística e também a um silogismo aparente,[1] ou silogismo sofístico, mediante os quais se quer defender algo falso e confundir o contraditor.[2] Não devemos confundir os sofismas com os paralogismos: os primeiros procedem da má fé, os segundos, da ignorância.[3]

Sofistas da Grécia antiga

Ver também: Sofistas

A palavra sofista (do grego sophistes) deriva das palavras sophia e sophos, que significam "sabedoria" ou "sábio" desde os tempos de Homero, e foi originalmente usada para descrever a experiência em um conhecimento ou ofício em particular.[4] Aos poucos, porém, a palavra também veio a denotar sabedoria geral e especialmente sabedoria sobre os assuntos humanos (por exemplo, política, ética ou gestão doméstica). Este foi o significado que foi atribuído ao grego Sete Sábios do 7º e 6º séculos a.C. (como Sólon e Tales), e foi este o significado que apareceu nas histórias de Heródoto.[5] Diz Platão que os sofistas não se preocupam em absoluto com obter a solução certa, mas desejam unicamente conseguir que todos os ouvintes estejam de acordo com eles.[6]

Os principais e mais conhecidos sofistas foram Protágoras de Abdera (c. 490 -421 a.C.), Górgias de Leontinos (c. 487 - 380 a.C.), Hípias de Élis, Licofron, Pródico que teria sido mestre de Sócrates e Trasímaco, Cálicles[7] embora tenham existido muitos outros dos quais conhecemos pouco mais do que os nomes.[8]

Protágoras foi um dos professores mais conhecidos e bem-sucedidos. Ele ensinou aos seus alunos as habilidades e os conhecimentos necessários para uma vida bem sucedida, especialmente na política, ao invés de filosofia. Ele treinou seus alunos para discutir a partir do ponto de vista, porque ele acreditava que a verdade não pode ser limitada a apenas a um lado do argumento. Protágoras escreveu sobre uma variedade de assuntos e alguns fragmentos de sua obra chegou aos dias de hoje. Ele é o autor da famosa frase: "O homem é a medida de todas as coisas",[9] que é a sentença de abertura de seu trabalho chamado Verdade.[10] Esta frase seria um dos pilares do relativismo. Também ensinava como tornar o argumento mais fraco no mais forte, fazendo com que posições impopulares passassem a ser convincentes. Segundo Platão, Protágoras define a sua arte como "educar os homens".[11]

Górgias é outro sofista conhecido, sendo autor de uma obra perdida conhecida como Da Natureza do inexistente, onde argumenta de que nada existe, nela, ele tenta convencer seus leitores de que o pensamento e a existência eram diferentes,[12] e disse que "o que importa é a adesão, não o ensinamento do justo ou do injusto".[13] É importante ressaltar que Górgias estava indo de encontro com o pensamento de Parmênides, que afirmava a existência do ser e a impossibilidade da existência do não-ser. Diferente deste pensador, afirmava que o ser não existia, pois as definições dadas a este pelos diferentes filósofos que o antecederam eram contraditórias.

Definições segundo Aristóteles

Ver também: Elencos Sofísticos

Aristóteles foi o primeiro a apresentar uma lista de sofismas em seu escrito Refutações sofísticas, considerado um apêndice aos Tópicos, ele indica que há duas classes de argumentos:[14] uns verdadeiros e outros que não o são, embora pareçam. Estes últimos são os sofismas ou refutações sofísticas. Por sua vez estas se dividem em refutações sofísticas que dependem da linguagem usada, chamadas também de "sofismas linguísticos" e refutações sofísticas que não dependem da linguagem, chamadas também de "sofismas extralinguísticos".[2]

Prática contemporânea

Atualmente os veículos de comunicação têm sido relacionados ao uso do sofisma, exemplos incluem a falta de embasamento veiculado no telejornalismo[15] e programas de entretenimento que "usam um discurso agradável para forçar a audiência a fazer o que eles querem".[16]

Ver também

Referências

  1. "Japiassu e Marcondes explicam que o sofisma é o 'raciocínio que possui aparentemente a forme de um silogismo, sem que o seja, sendo usado assim de modo a produzir a ilusão de validade, e tendo como conclusão um paradoxo ou um impasse'. " Francisco José Castilhos Karam (2004). A ética jornalística e o interesse público. [S.l.]: Summus Editorial. p. 104. ISBN 978-85-323-0858-0 
  2. 2,0 2,1 José Ferrater Mora (2001). Dicionário de filosofia. 4. (Q - Z). [S.l.]: Ed. Loyola. p. 2728. ISBN 978-85-15-02004-1 
  3. Pacífico de Bellevaux (1999). Criteriologia: uma teoria do conhecimento. [S.l.]: EDIPUCRS. p. 84. ISBN 978-85-7430-076-4 
  4. «Sophism» (em English). dictionary.com. Consultado em 17 de maio de 2013 
  5. Plato protagoras, intro by N Denyer, p1, cambridge up, 2008
  6. Platão, Fédon
  7. Platão, Górgias
  8. Danilo Marcondes (2007). Iniciação à história da filosofia. [S.l.]: Jorge Zahar. p. 43. ISBN 978-85-7110-405-1 
  9. STEVE FULLER. Intelectual,O. [S.l.]: Relume Dumará. p. 16. ISBN 978-85-7316-439-8 
  10. Vaulker, Aashish (2012). Markets and measurements in nineteenth century Britain. Cambridge: Cambridge University Press. pp. 218–228 
  11. Platão, Protágoras, 314a, 315 e
  12. Gaines, Robert N. (1997). Philosophy & Rhetoric. Pennsylvania: Penn State University Press. pp. 1–12 
  13. Platão, Górgias, 455a
  14. Aristotle (30 de junho de 2004). On Sophistical Refutations. [S.l.]: Kessinger Publishing. p. 4. ISBN 978-1-4191-3859-1 
  15. "Quando o telejornalismo se apropria de imagens “leigas”, construindo o que se chamou aqui de jornalismo apócrifo, a questão da credibilidade assume a forma de um sofisma. Por um lado, o telejornal, em todas as suas instâncias, se exime da responsabilidade pela credibilidade do que se exibe, já que não foi produtor das imagens que ilustram uma determinada narrativa noticiosa. Elas vieram de fontes externas. Mas, em verdade, por outro lado, o telejornal não é responsável pelo que veicula?" Revista PJ:Br Novos aspectos da narrativa jornalística ISSN 1806-2776, Edição 14, Novembro 2011
  16. "Programas televisivos como o Big Brother, por exemplo, são criticados nas redes sociais, mas continuam gerando audiência, o que o professor afirma também ter relação com a visão dos sofistas. “É um sistema tão genial, que o orador, na época, e o comunicador, atualmente, promovem uma violência psicológica com seu espectador; usam um discurso agradável para forçá-lo a fazer o que eles querem, e a pessoa nem percebe, e ainda por cima fica feliz em seguir o discurso citado”."USP - Livro faz paralelo entre sofismo e comunicação praticada na mídia atual

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