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Manuel de Araújo Porto-Alegre

Araújo Porto-Alegre
Manuel José de Araújo Porto-Alegre
Nome completo Manuel José de Araújo Porto-Alegre
Pseudônimo(s) Tibúrcio do Amarante
Outros nomes barão de Santo Ângelo; Pitangueira; Manuel de Araújo Porto-alegre
Nascimento 29 de novembro de 1806[[Categoria:Predefinição:Categorizar-ano-século-milénio/1]]
Rio Pardo
Morte 30 de dezembro de 1879 (73 anos)[[Categoria:Predefinição:Categorizar-ano-século-milénio/1]]
Lisboa
Nacionalidade brasileiro
Progenitores Mãe: Francisca Antônia Viana[1]
Pai: Francisco José de Araújo[1]
Cônjuge Paulina Delamare
Filho(a)(s) Carlota Porto-Alegre, Paulo Porto-Alegre
Alma mater Academia Imperial de Belas Artes
Ocupação Escritor, político, jornalista, pintor, caricaturista, arquiteto, professor, diplomata
Período de atividade século XIX
Cargo Vereador do Rio de Janeiro (ca. 1854)
Escola/tradição Romantismo
Título barão de Santo Ângelo , recebido em 1874
COA Baron of Santo Ângelo.svg

Armas do barão de Santo Ângelo, as mesmas do ramo nobre português da família Araújo.
Três renomados escritores brasileiros do século XIX. Da esquerda para direita: Gonçalves Dias, Manuel de Araújo Porto-Alegre e Gonçalves de Magalhães (1858).

Manuel José de Araújo Porto-Alegre,[2] primeiro e único barão de Santo Ângelo (Rio Pardo,[1] 29 de novembro de 1806Lisboa, 30 de dezembro de 1879), foi um escritor do romantismo, político e jornalista (fundador de várias revistas, dentre elas a Nitheroy, revista brasiliense, divulgadora do gênero literário romântico e Lanterna Mágica, publicação de humor político), pintor, caricaturista, arquiteto, crítico e historiador de arte, professor e diplomata brasileiro.

Biografia

Filho de Francisco José de Araújo e de Francisca Antônia Viana.[1] Seu nome de batismo era Manuel José de Araújo, modificado para Pitangueira por espírito nativista, quando da Independência e, mais tarde, chegando à forma definitiva: Manuel de Araújo Porto-Alegre[3] Começou a trabalhar como ourives, onde logo se destacou pelo seu refinado gosto artístico.[4]

Porto-Alegre estudou pintura inicialmente com o francês François Thér e com os cenógrafos Manuel José Gentil e João de Deus.[5] Mudou para o Rio de Janeiro em janeiro de 1827, para matricular-se na Real Academia Militar.[4] Estando, porém, a escola fechada, em férias, e como tinha noções de pintura e desenho (tendo sido, inclusive, pintor de cenários de teatro), matricula-se na Academia Imperial de Belas Artes, na qual foi aluno de Jean Baptiste Debret.[4]

Em 25 de julho de 1831, graças a uma subscrição de Evaristo da Veiga,[1] Porto-Alegre viaja para Paris, em companhia de seu mestre e amigo Debret, que deixava definitivamente o Brasil.[5] Na Europa, estuda na Escola de Belas Artes de Paris[5] e viaja pela Itália, onde estuda com o arqueólogo Antonio Nibby.[5] Viaja para a Inglaterra, Países Baixos e Bélgica com o poeta Gonçalves de Magalhães.[5] Volta para o Rio de Janeiro em maio de 1837 e passa a desenvolver atividades variadas como professor de desenho, poeta e, inclusive, crítico e historiador de arte, área na qual também é considerado como fundador da disciplina no Brasil.[5]

Em 1840 foi nomeado pintor da Câmara Imperial e foi responsável pelos trabalhos de decoração para a coroação do imperador D. Pedro II e seu casamento com D. Teresa Cristina.[5] Como arquiteto executou diversos projetos no Rio de Janeiro, dos quais destacam-se as obras no Paço Imperial, o plano arquitetônico da antiga sede do Banco do Brasil, da Escola de Medicina e do prédio da Alfândega.[5]

Manuel de Araújo Porto-Alegre foi vereador no Rio de Janeiro, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, e nomeado diretor da Imperial Academia de Belas Artes em 1854, cargo que ocupou até 1857.[5] Como diretor da Academia promoveu a ampliação da área construída, anexando o Conservatório de Música e a Pinacoteca, além de estabelecer uma série de reformas no seu currículo e seus métodos de ensino.[5]

Em 1857 iniciou sua carreira diplomática, primeiramente na Prússia, em Berlim, depois em Dresden (1860) e Lisboa, onde chegou em 1866 e permaneceu até sua morte.[1] Em Lisboa recebeu o imperador do Brasil D. Pedro II, quando este saiu em viagem de férias pelo mundo.

Em 1865, exercendo função diplomática em Dresden, Alemanha, Porto-Alegre escreveu uma carta a seu amigo Joaquim Manuel de Macedo, que era professor dos filhos da princesa Isabel de Bragança, na qual ele se declara espírita e fala de suas psicografias recebidas do Plano Espiritual, revelando que a princesa Isabel, católica, lhe perguntou "quem é meu espírito protetor?". A carta se encontra arquivada no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, e contém 12 páginas manuscritas, correspondência esta que foi publicada na íntegra, com análise circunstanciada, no livro "Barão de Santo Ângelo, O Espírita da Corte" (Editora Lorenz), de autoria do jornalista Paulo Roberto Viola.[6]

Em 1874, Porto-Alegre foi agraciado pelo imperador do Brasil D. Pedro II com o título nobiliárquico de barão de Santo Ângelo, com brasão de armas.[5] O brasão utiliza as mesmas armas do ramo nobre português da família Araújo,[7][8] da qual Porto-Alegre descendia. Todos os descendentes do barão de Santo Ângelo não utilizam mais o sobrenome Araújo, vindo a adotar Porto-Alegre como sobrenome.

Seus restos mortais foram trazidos ao Brasil em 1922. Patrono da cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, Araújo Porto-Alegre ganhou nome de rua na cidade do Rio de Janeiro, justamente a rua onde fica a sede da histórica Associação Brasileira de Imprensa, no centro da cidade do Rio de Janeiro e no bairro do Engenho de dentro, subúrbio da cidade sob o CEP: 20 720-000 encontra-se a rua Barão de Santo Ângelo, seu título nobiliárquico.

A primeira charge e a carreira nas letras

Porto-Alegre foi o primeiro artista a publicar uma caricatura no Brasil, em 1837.[5] Entre 1837 e 1839, de volta de sua viagem à Europa, Manuel de Araújo Porto-Alegre produziu uma série de litografias satíricas que eram vendidas em unidades separadas nas ruas do Rio de Janeiro. A primeira, intitulada A campainha e o cujo, circulou em 14 de dezembro de 1837, vendida por 160 réis, mas não fora assinada (sua autoria só seria reconhecida posteriormente) e apresentava Justiniano José da Rocha, diretor do jornal Correio Oficial, ligado ao governo, recebendo um saco de dinheiro.

Nesse mesmo ano, o artista escreveria a peça Prólogo dramático, podendo, pois, ser considerado, sem grande margem de erro, o primeiro dramaturgo brasileiro, já que tanto o Barroco como o Arcadismo, além da fase inicial do próprio Romantismo, foram, na literatura, movimentos eminentemente poéticos. Ajudou Gonçalves de Magalhães na criação da Nitheroy, revista brasiliense, em 1836, e fundou com Joaquim Manuel de Macedo e Gonçalves Dias a revista Guanabara, em 1849, que abrigaram os grupos iniciais do Romantismo no Brasil.[1]

Porto-Alegre lançou ainda, em 1844, a revista Lanterna Mágica,[5] primeira publicação de humor político da imprensa brasileira, que circulou por onze edições, incorporando a charge e a caricatura, que deixaram assim de ser vendidas separadamente. A publicação, que tinha o subtítulo Periódico plástico-filosófico, apresentava dois personagens que criticavam as situações do momento, Laverno e Belchior, à semelhança dos tipos Robert Macaire e Bertrand, criados pelo caricaturista francês Honoré Daumier e que tinha em Rafael Mendes de Carvalho seu principal desenhista.

Também deixou outras obras, entre elas, Colombo, Brazilianas (onde escreveu com o pseudônimo Tibúrcio do Amarante)[1] e a Estátua Amazônica - uma comédia arqueológica.[4]

Obras

Ver também

Referências

  1. 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7 «Perfil no sítio oficial da Academia Brasileira de Letras» (em português) 
  2. Pela grafia original do nome, Manoel Joze de Araujo Porto-alegre.
  3. Alguns biógrafos utilizam a grafia Manuel de Araújo Porto-alegre.
  4. 4,0 4,1 4,2 4,3 PORTO-ALEGRE, Achylles. Homens Illustres do Rio Grande do Sul. Livraria Selbach, Porto Alegre, 1917.
  5. 5,00 5,01 5,02 5,03 5,04 5,05 5,06 5,07 5,08 5,09 5,10 5,11 5,12 «Porto Alegre (1806 - 1879): Biografia na Enciclopédia do Itaú Cultural.» (em português) 
  6. Revista Além da Vida, edição n. 30. Arquivo Nacional, Rio de Janeiro
  7. Armorial Lusitano.
  8. Arquivo Nobiliárquico Brasileiro.

Ligações externas

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