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Arquitetura expressionista

A arquitetura expressionista foi um movimento arquitetônico que se desenvolveu na Europa setentrional durante as primeiras décadas do século XX paralelamente às artes visuais representativas do Expressionismo.

O termo "Arquitetura expressionista" inicialmente descrevia as atividades das vanguardas alemã, neerlandesa, austríaca, checa e dinamarquesa desde 1910 até aproximadamente 1924. Subseqüentes redefinições estenderam o termo até 1905 e também ampliaram seu campo de ação para o restante da Europa. Hoje em dia, o conceito ampliou-se de tal modo, que chega a referir-se à arquitetura de qualquer período ou localização que apresente algumas das qualidades do movimento original tais como; distorção, fragmentação ou a comunicação de emoção violenta ou sobrecarga.[1]

O estilo foi caracterizado por uma adoção pré-modernista de novos materiais, inovação formal e volumes extremamente incomuns, algumas vezes inspirados nas formas biomórficas naturais, algumas vezes por uma nova técnica oferecida pela grande produção de tijolos, aço e especialmente vidros. Muitos arquitetos expressionistas lutaram na Primeira Guerra Mundial e suas experiências, combinadas com as agitações política e social que seguiram-se à Revolução Espartaquista de 1919, resultaram em uma perspectiva utópica e em uma visão romântica do socialismo.[2] As condições econômicas limitaram severamente o número de construções entre 1914 e o meio da década de 1920,[3] fazendo com que muitos dos mais importantes trabalhos expressionistas permanecessem como projetos no papel, tais como a Arquitetura Alpina de Bruno Taut e os Formspiels de Hermann Finsterlin. Construções de exposições efêmeras eram numerosas e altamente significativas durante este período. A cenografia para teatro e cinema possibilitou uma outra saída para a imaginação expressionista[4] e foi fonte de renda suplementar para muitos projetistas que tentaram desafiar convenções em um clima econômico severo.

Eventos importantes na arquitetura expressionista incluem; a Exposição Werkbund de 1914 em Colônia, a conclusão e temporada teatral do Grosses Schauspielhaus, Berlim em 1919, as cartas Glass Chain, e as atividades da Amsterdam School. O principal marco permanente existente do Expressionismo é a Torre Einstein de Erich Mendelsohn em Potsdam. Em 1925, a maioria dos principais arquitetos do Expressionismo tais como; Bruno Taut, Erich Mendelsohn, Walter Gropius, Mies van der Rohe e Hans Poelzig, juntamente com outros expressionistas das artes visuais, haviam-se voltado para o movimento da Neue Sachlichkeit (Nova Objetividade), uma aproximação mais prática e que rejeitou a agitação emocional do expressionismo. Poucos, particularmente Hans Scharoun, continuaram o trabalho explorando a linguagem expressionista.[5]

Em 1933, depois da tomada do poder pelos Nazistas na Alemanha, a arte expressionista foi proscrita como Arte degenerada.[5] Até mesmo os estudiosos da década de 1970[6] chegaram a depreciar a influência dos expressionistas no International style, porém isto tem sido reavaliado nos últimos anos.

Arquitectura expressionista em Portugal

O arquitecto Jorge Ferreira Chaves projectou no início dos anos 60 a Pastelaria Mexicana, um "notabilíssimo exemplo que levou aos limites, para a época e em Portugal, as tendências expressionistas criadas no interior do Movimento Moderno desde o princípio do século XX (…)"; "desenvolve um sentido fenomenológico do conceber a arquitectura que atinge um ponto alto, até excepcional, na História da Arquitectura em Portugal.”.[7] "Foi durante a década de 1960 que o arquitecto desenvolveu um traço específico, reconhecível nas obras da Misericórdia de Lisboa . Traço presente no recurso a perfis de linha quebrada e (...) ângulos não rectos, integrados brilhantemente no exemplo de «obra total» que foi a Mexicana e também no corpo de lojas que estende a Rua da Penha de França sob o edifício, com as suas coberturas ziguezagueantes; ou na reinterpretação moderna de motivos da tradição vernácula portuguesa, de que o Hotel Garbe constitui súmula exemplar."[8]

Referências

  1. Stallybrass and Bullock, p.301-392 -entry by John Willett
  2. Jencks, p.59
  3. Sharp, p.68
  4. Pehnt, p.163
  5. 5,0 5,1 Pehnt, p.203
  6. Principalmente Nikolaus Pevsner
  7. TOUSSAINT, Michel - "A Pastelaria Mexicana e o lado expressionista da arquitectura moderna" in Jornal Arquitectos nº 132, Fevereiro 1993. (pp. 20-29)
  8. AGAREZ, Ricardo - "De regra, renda e desenho: arquitectura para a Misericórdia de Lisboa c. 1960" in AA.VV. - Património Arquitectónico da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Vol. 2. Lisboa: Santa Casa da Misericórdia; 2010. Tomo I. (pp. 83-95)

Ligações externas

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